Conheça João Albino, Empreendedor de Sucesso e Antigo Aluno da Nova SBE - Entrevista Exclusiva
Nova Promove | 07 janeiro 2020 Conheça João Albino, Empreendedor de Sucesso e Antigo Aluno da Nova SBE - Entrevista Exclusiva

- João, porquê o México? Que oportunidades o incentivaram a ir além-fronteiras?

Ir além-fronteiras sempre foi uma ambição para mim. Descobrir outras culturas, impactar mais pessoas e conhecer outras formas de viver e trabalhar são fatores que considero fundamentais para a aprendizagem pessoal e profissional. Comecei a licenciatura num momento durante o qual espoletou a crise internacional. Saí de Portugal quando mais afetava a nossa economia e as oportunidades locais. O México veio quando vivia em Londres e queria sair da Europa para trabalhar numa empresa inovadora e conectada com o empreendedorismo. A Cidade do México (CDMX) surgiu por acaso, mas o potencial é gigante. É das maiores cidades do mundo e o mercado mexicano faz parte do top 15 mundial. As pessoas são impecáveis e e a cidade faz também parte do top 10 dos países com mais patrimónios da UNESCO (fun fact para quem visita, porque isto não é só Cancum!). Por sua vez, hoje em dia o mercado de venture capital está muito mais ativo na América Latina e isso também é algo que atrai talento. Vim para aqui por uns meses e já estou há cinco anos!
 

 - Sentiu-se sempre fascinado pelo mundo das startups e do empreendedorismo ou foi a oportunidade na Rocket Internet que lhe abriu esse caminho?

Antigamente, o conceito de startup não só não era sexy como não era algo que vissemos alguém aventurar-se a fazer, tudo à nossa volta consistia em consultoras ou multinacionais. Para mim, o objetivo sempre foi criar um impacto positivo na sociedade, não tinha necessariamente de começar com o meu projeto, mas esse sempre foi o sonho. Terminado o curso fui para São Tomé e Príncipe com o MOVE. Estávamos a desenvolver uma organização num país diferente e o objetivo final era ajudar pessoas a serem mais empreendedores, terem mais acessos e desenvolverem projetos mais sustentáveis. A Rocket aconteceu mais tarde e abriu-me realmente as portas a esse mundo do empreendedorismo, não só pela forma de trabalhar, mas principalmente pelas pessoas que me permitiu conhecer e a mentalidade de ser possível fazer algo desde o zero.
 

 - Quando conheceu Renato Picard já tinha ideias de começar uma startup ou foi algo que só pensou fazer quando encontrou nele alguém que partilhava o mesmo insight do mercado e via na área de mobilidade a mesma janela de oportunidade?

Quando conheci o Renato já queria começar um projeto, mas não necessariamente no México. Com o Renato, o mais importante foi que partilhávamos valores, a mesma visão do que queremos para o negócio e o objetivo de criar cidades mais sustentáveis. Hoje em dia somos já família, mas essa foi uma consequência destes três anos [de trabalho]. A mobilidade foi sempre algo que me fascinou, pois é um grande problema que afeta milhões de pessoas tanto no que diz respeito a segurança, produtividade e impacto ambiental. Em Portugal, por mais que nos queixemos dos transportes públicos (e ainda bem que o fazemos porque podemos sempre ter algo melhor e mais acessível) estes não têm comparação com os transportes das cidades latinas, africanas ou asiáticas.
 

- Porquê esta área? Começou com que recursos (sei que começaram com cinco carrinhas)?

A mobilidade na CDMX é realmente um tema muito urgente e uma indústria que precisa inovação. Há mais de 35 milhões de viagens diárias na CDMX e, em média, as pessoas passam duas horas e meia do seu dia num veículo, transportando-se de casa para o trabalho e depois na volta. Mais urgente que a produtividade, as condições dos transportes e uma rede de transporte mal construída (que faz com que mais de metade das pessoas precisem de três transportes distintos para chegar ao seu destino), é o tema da segurança. Um exemplo claro disso é que três em cada quatro pessoas já sofreu, de alguma forma, assédio sexual num transporte publico. São temas urgentes, e não são os únicos da CDMX, o que faz com que as pessoas com menos recursos tenham de submeter-se a estas condições. Os que podem acabam por comprar um carro porque não há mais opções seguras que sejam acessíveis. Por isso, criámos a Urbvan! Começámos com um Venture Builder, que permitiu ter um primeiro investimento para ter as nossas primeiras cinco camionetas e algum desenvolvimento tecnológico. Foi o suficiente para demonstrar um market fit e começar a ter números concretos para mostrar aos investidores. Desde aí, foi todo um caminho e já são 300 a rodar.
 

- E agora os nove milhões de financiamento. Como se sente e qual a progressão planeada? Expandir-se além do México?

Sim, conseguimos uma boa ronda de investimento que vai ajudar muito a crescer. O progresso tem sido muito bom e sinto-me feliz pela equipa que formámos e pelo impacto que temos com os nossos utilizadores. O objetivo para 2020 é crescer de uma forma muito acelerada para conseguir transportar mais gente, otimizando melhor os veículos que estão na nossa plataforma e continuar. A visão que temos para o negócio é ser um negócio internacional e, para isso, queremos expandirmo-nos nas cidades principais da América Latina. Mas, por agora, são só planos.
 

- O João é antigo aluno da Nova SBE (algo que nos deixa ainda mais orgulhosos), tendo começado a licenciatura em economia em 2008. O quão fundamental foi essa etapa (ou essa passagem pela escola) para o seu percurso profissional?

Eu entrei na FEUNL (Faculdade de Economia da Universidade NOVA de Lisboa) e sai na Nova SBE (Nova School of Business & Economics), esta mudança de nome mostra bem o que a Nova SBE ambicionava para os seus alunos. Eu diria que foi fundamental para ter as bases de que precisava para poder trabalhar em qualquer indústria, país ou área. Por outro lado, a Nova SBE estava (e está) repleta de pessoas muito interessantes e com grande potencial, que ajudam sempre a elevar o nível. Eu também tenho muito orgulho de ser um alumnus da Nova SBE!
 

 - Que competências adquiriu na sua licenciatura e, mais tarde, no mestrado que pensa terem sido imprescindíveis?

Estar numa universidade dinâmica num contexto internacional, muito exigente e que quer que os seus estudantes criem inovação no mercado sem dúvida foi algo muito importante. A Nova SBE deu-me as ferramentas necessárias para ser um profissional ambicioso, metódico, responsável, muito racional e sem medo de um bom desafio. Pelo que vejo, a Nova SBE está melhor do que há oito anos – menos tradicional, mais internacional e procura que os alunos encontrem projetos ambiciosos e inovadores.
 

- Que memórias do seu tempo enquanto aluno da Nova SBE guarda?

Muitas boas memórias de Campolide! Desde as aulas de Cálculo as oito da manhã às cervejas e cartadas no bar, às sessões de estudo na biblioteca, às muitas noites de estudo em época de exames que perdíamos mais tempos em jogos e a falar com o pessoal do que propriamente a estudar. O período de Erasmus também foi uma experiência muito boa porque, apesar de cada um estar na sua cidade, parece que nos aproximou mais. No geral, o que mais fica são as amizades e as aprendizagens.
 

- Que conselhos deixa para os atuais alunos?

Empreender não é para todos, não está necessariamente correlacionado com a performance na licenciatura, mas há vários elementos que têm de estar presentes. Ser um bom líder, uma pessoa honesta e que valoriza os outros, um team player, ter muita ambição e criatividade, persistir perante as adversidades e gostar de um bom desafio são fatores que, sem dúvida, ajudam neste caminho. Se têm o feeling do empreendedorismo, o meu conselho é que não comecem algo só por começar. Se não veem uma boa oportunidade com um problema a sério então aprendam primeiro com os outros, seja com empresas já desenvolvidas ou startups e comecem agora que estão na universidade. É fundamental ter uma ideia que vos apaixone e na qual acreditem, porque os sacrifícios feitos, no final do dia, serão por essa visão e acabarão por ser os nossos melhores anos! Por sua vez, escolham bem a pessoa com quem querem começar, partilhem valores e a vossa visão, mas também as competências e os diferentes backgrounds! Por último, Portugal é o nosso cantinho especial, mas há um mundo inteiro que podemos impactar, por isso não tenham medo de procurar outras oportunidades! Se alguém quer vir para a América Latina then just reach out ;)

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