Social Equity Initiative

Promover a investigação para criar mais valor no setor da saúde

Cátedra BPI | Fundação “la Caixa” em Economia da Saúde

A Cátedra BPI | Fundação “la Caixa” em Economia da Saúde tem como objetivo promover a investigação e discussão nesta área. A cátedra faz parte da Iniciativa para a Equidade Social, que foi lançada em 2019 pela Fundação “la Caixa”, pelo BPI e pela Nova SBE, e pretende criar mais valor para o setor da saúde no nosso país. Visa ainda contribuir com o melhor conhecimento da sociedade portuguesa e do seu relacionamento com o sistema de saúde e com a discussão de políticas com ênfase nesta área. Vai permitir continuar a analisar as novas tendências e desafios, seja através de avaliações de impacto independentes ou análises que permitam uma melhor resposta do sistema de saúde e seus decisores políticos às necessidades e expectativas da população.

Foi atribuída a Pedro Pita Barros, professor de economia na Nova SBE e coordenador do Nova SBE Health Economics & Management Knowledge Center, pelo reconhecimento do trabalho realizado na área de economia da saúde, evidenciado pela sua participação, no âmbito da Comissão Europeia, no Expert Panel on Effective Ways of Investing in Health, assim como pelo trabalho já realizado no Mission Board for Cancer, no Conselho Nacional de Saúde e no Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida.

 

Principais áreas de interesse

  • Equidade no acesso a cuidados de saúde;
  • Sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS);
  • Dinâmica de mercado entre setor público e privado;
  • Impacto da tecnologia na prestação de cuidados;
  • Recursos Humanos em Saúde;
  • Envelhecimento;

 

Iniciativas

No âmbito da presente cátedra estão previstas reuniões regulares para discutir a evolução do setor bem como a produção de um relatório anual sobre o sistema de saúde, que terá um tópico diferente todos os anos. “Recursos Humanos em Saúde” e “Envelhecimento” foram os temas escolhidos para os dois primeiros anos.

Investigação

  • Risk communication during COVID-19: A descriptive study on familiarity with, adherence to and trust in the WHO preventive measures, Nirosha Elsem Varghese, Iryna Sabat, Sebastian Neumann-Böhme, Jonas Schreyögg, Tom Stargardt, Aleksandra Torbica, Job van Exel, Pedro Pita Barros, Werner Brouwer, Plos one 16 (4), e0250872;
  • Blood donation in times of crisis: Early insight into the impact of COVID19 on blood donors and their motivation to donate across European countries, Torsten Chandler, Sebastian Neumann‐Böhme, Iryna Sabat, Pedro Pita Barros, Werner Brouwer, Job van Exel, Jonas Schreyögg, Aleksandra Torbica, Tom Stargardt, Vox Sanguinis;
  • The Financial Sustainability of the Portuguese Health System, E Costa, R Santos, PP Barros, The Sustainability of Health Care Systems in Europe;
  • Simplified Mathematical Modelling of Uncertainty: Cost-Effectiveness of COVID-19 Vaccines in Spain, Julio Emilio Marco-Franco, Pedro Pita-Barros, Silvia González-de-Julián, Iryna Sabat, David Vivas-Consuelo, Mathematics 9 (5), 566;
  • COVID-19, Fake News, and Vaccines: Should Regulation Be Implemented?, Julio Emilio Marco-Franco, Pedro Pita-Barros, David Vivas-Orts, Silvia González-de-Julián, David Vivas-Consuelo, International Journal of Environmental Research and Public Health 18 (2), 744;
  • Concerns and adjustments: How the Portuguese population met COVID-19, S Valente de Almeida, E Costa, FV Lopes, JV Santos, P Pita Barros, PloS one 15 (10), e0240500;
  • Battling the infodemics: health communication effectiveness during COVID-19, I Sabat, NE Varghese, S Neuman-Böhme, PP Barros, W Brouwer, J van Exel, J Schreyögg, T Stargardt, European Journal of Public Health 30 (Supplement_5), ckaa166. 072;
  • Countering COVID-19: A European survey on acceptability of and commitment to preventive measures, I Sabat, N Elsem Varghese, S Neuman-Böhme, P Pita Barros, W Brouwer, J van Exel, J Schreyögg, T Stargardt, European Journal of Public Health 30 (Supplement_5), ckaa166. 619;
  • United but divided: Policy responses and people's perceptions in the EU during the COVID-19 outbreak, Iryna Sabat, Sebastian Neuman-Böhme, Nirosha Elsem Varghese, Pedro Pita Barros, Werner Brouwer, Job van Exel, Jonas Schreyögg, Tom Stargardt, Health Policy 124 (9), 909-918

Relatório Acesso a Cuidados de Saúde 2020

Acesso a Cuidados de Saúde – As Escolhas dos Cidadãos

Porquê?
Os valores da sociedade portuguesa sobre o acesso a cuidados de saúde estão expressos na Constituição e na Lei de Bases da Saúde. Contudo, sabe-se pouco sobre o cidadão e as suas decisões relativamente a quando e como contactar o sistema de saúde quando se sente doente e antes de iniciar o seu percurso dentro do sistema de saúde (no setor público ou no privado).

Como?
Através de um inquérito à população com uma amostra representativa de 1271 residentes em Portugal com mais de 15 anos. Esta foi a forma de saber mais sobre o que não passa pelo sistema de saúde e não está registado no SNS. A recolha foi realizada pela empresa GfK.
 

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  • Existem desigualdades socioeconómicas quando ocorre uma doença, mas o acesso ao sistema de saúde é semelhante. As condições de acesso ao sistema de saúde não ampliam as desigualdades. A decisão de um primeiro contacto com o sistema de saúde apresenta poucas barreiras de acesso. Estas não estão sistematicamente associadas à condição socioeconómica dentro da amostra recolhida (as populações vulneráveis que não são captadas por inquéritos terão problemas específicos) e ocorrem em episódio de doença e não são explicadas pelas condições de acesso aos cuidados de saúde. Do ponto de vista do cidadão, o acesso ao sistema de saúde melhorou, em geral, de 2015 a 2020.
  • A automedicação é predominante nos casos que não recorrem ao sistema de saúde. Ainda assim, há cidadãos que optam por não contactar o sistema de saúde quando se sentem doentes (cerca de 10 %), não havendo relação com a condição socioeconómica de cada um. 63 % dos cidadãos escolheram automedicar-se, sendo, por isso, necessário conhecer melhor como e quais as consequências.
  • Não houve uma “fuga” do SNS para o setor privado nem um abandono deste. Houve, sim, uma reconfiguração dentro de cada setor. Aquando da decisão de um primeiro contacto com o sistema de saúde, o SNS é a escolha maioritária de todos os grupos socioeconómicos. A opção pelo setor privado está concentrada nas classes socioeconómicas mais elevadas. Cerca de 7,3 % de quem se sente doente tem essa escolha. Essa proporção sobe para 15 % se a pessoa pertencer a classes socioeconómicas mais elevadas.
  • Em 2020, a “fuga” foi das urgências hospitalares, públicas e privadas, para outro ponto de contacto dentro do mesmo setor. A proporção de pessoas que referiu a urgência hospitalar como primeiro ponto de contacto com o sistema de saúde caiu de 41,1 %, em 2019, para 32,2 %, em 2020, no setor público e caiu de 5 % para 2,1 % no setor privado.
  • As principais dificuldades financeiras de acesso estão associadas aos custos dos medicamentos apesar de ter havido melhorias substanciais nos últimos anos. O número de pessoas que deixou de comprar os medicamentos que devia, pelo menos uma vez durante um ano, de 2017 para 2020, passou de 10,7 % para 5,4 %. Contudo, há desigualdades socioeconómicas relevantes. Esta proporção foi de 2 % nesses dois anos, para a classe socioeconómica mais elevada, e passou de 11 % para 15 % na classe socioeconómica mais baixa. Uma evolução similar, embora com valores mais baixos, surgiu sob o pretexto de “deixar de ir a uma consulta ou exame por falta de dinheiro” (de 7 %, em 2017, para 10 %, em 2019, na classe socioeconómica mais baixa).
  • A principal despesa de quem recorre ao SNS com um episódio de doença inesperado está na comparticipação dos medicamentos prescritos (os valores médios vão de 21€ em medicamentos para 25€ em despesa total com um episódio específico, incluindo taxas moderadoras e transportes, relativamente a cuidados de saúde primários. Numa urgência hospitalar, as despesas vão de 24€ em medicamentos e 36€ em despesa total).
  • Em 2020, há duas novas “barreiras de acesso” – o receio de ir ao sistema de saúde por causa da COVID-19, referida por 15 % das pessoas, e o cancelamento de um agendamento por iniciativa do prestador, referido por 20 % das pessoas entrevistadas. Os mais idosos e as pessoas de classes socioeconómicas mais baixas indicaram ter maior receio. Os cancelamentos por iniciativa do prestador afetaram igualmente todas as classes socioeconómicas. Os mais idosos, tendo mais consultas marcadas, foram também os mais afetados. Apesar do temor, continua a haver confiança nos serviços de saúde (os que mais se isolaram durante a pandemia não têm mais receio de ir ao sistema de saúde).
  • Três em cada quatro pessoas sente que foi tratada com dignidade, compaixão e respeito pelos serviços do sistema de saúde. Apesar de 76,6 % de pessoas, em 2020, ter referido terem sido tratadas com dignidade, compaixão e respeito, existem diferenças de tratamento associadas ao nível de escolaridade – 80 % das pessoas com ensino básico e 72 % para quem alcançou o ensino superior. Avaliações idênticas em Inglaterra apresentam valores acima de 80 % e perto de 90 % para serviços de saúde específicos.
  • Conhecer melhor a automedicação de quem não procura o sistema de saúde;
  • Melhorar a proteção financeira aquando do consumo de medicamentos;
  • Melhorar os aspetos humanos do atendimento do sistema de saúde;
  • Consolidar a resposta dos cuidados de saúde primários e a sua utilização programada.